O equipamento chega ao terreno em Santos com os carretéis de cabo multinucleado, eletrodos de aço inox e o resistivímetro digital com compensação automática de polarização espontânea. A equipe estica os cabos em linha reta, crava os eletrodos na areia fina da planície sedimentar e ajusta o espaçamento conforme o arranjo Schlumberger. Em Santos, onde a cunha salina do estuário e os lençóis freáticos rasos criam contrastes marcantes de resistividade, o ganho de corrente é calibrado de imediato para evitar ruído na aquisição. O terreno da cidade, situado entre o mar e a Serra do Mar a 23°56' de latitude sul, combina sedimentos quaternários e bolsões de argila orgânica mole que exigem sensores de baixa frequência para atingir profundidades de investigação acima de 40 metros sem perder resolução vertical.
Na planície costeira de Santos a resistividade elétrica distingue areias saturadas de argilas moles com precisão métrica, orientando a locação de piezômetros e a escolha do tipo de estaca.
Procedimento e escopo
Particularidades da região
O clima tropical úmido de Santos, com médias anuais de chuva superiores a 2.500 mm, mantém o nível freático a menos de dois metros de profundidade na maior parte da ilha. Essa condição reduz drasticamente a resistência de contato dos eletrodos, o que é bom para a injeção de corrente, mas também mascara contrastes sutis quando a pluma contaminante é salina — algo comum nas áreas retroportuárias onde a intrusão salina do canal do estuário se sobrepõe a vazamentos de hidrocarbonetos. O risco técnico está em interpretar uma zona de baixa resistividade como contaminação quando, na verdade, trata-se de água salobra natural do aquífero costeiro. Para contornar isso a equipe coleta amostras de água subterrânea em piezômetros próximos e mede a condutividade elétrica in situ, calibrando a inversão geoelétrica com dados hidroquímicos reais. Sem essa calibração, a perfuração de estacas metálicas em zonas de corrosão acelerada pode comprometer a durabilidade da fundação.
Normas aplicáveis
ABNT NBR 15935:2011 — Investigação ambiental — Aplicação de métodos geofísicos, ABNT NBR 7117:2012 — Medição de resistividade elétrica em solo, ABNT NBR 6122:2019 — Projeto e execução de fundações
Outros serviços relacionados
Sondagem Elétrica Vertical (SEV)
Arranjo Schlumberger com AB/2 máximo de 150 m, processamento por inversão 2D e entrega de seções de resistividade verdadeira calibradas com litologias de sondagens próximas. Ideal para mapear topo rochoso e aquíferos costeiros.
Caminhamento Elétrico 2D
Perfilagem contínua com múltiplos eletrodos ao longo de linhas de até 300 m. Usada em áreas portuárias e retroportuárias de Santos para delimitar plumas de contaminação e definir a extensão lateral de camadas compressíveis.
Ensaio de Piezocone CPTu
Sondagem contínua com medição de resistência de ponta, atrito lateral e poropressão. Em Santos, valida os contatos geoelétricos da SEV e identifica camadas drenantes que afetam a resistividade.
Parâmetros típicos
Perguntas e respostas
Qual o custo de uma campanha de SEV em Santos?
Uma campanha típica com 5 SEVs e 2 linhas de caminhamento elétrico em Santos custa a partir de R$ 100.000, incluindo mobilização, aquisição, processamento e relatório técnico conforme ABNT NBR 15935. O valor pode variar conforme o número de pontos, a profundidade de investigação e a necessidade de ensaios complementares como IP.
A resistividade funciona em terrenos alagados como os manguezais de Santos?
Sim, e inclusive funciona melhor do que em terrenos secos. A água salobra dos manguezais de Santos reduz a resistência de contato dos eletrodos, permitindo injetar mais corrente e atingir profundidades maiores. O desafio é interpretar os dados corretamente, pois a baixa resistividade natural da água salina (abaixo de 1 ohm.m) pode mascarar plumas contaminantes. Por isso sempre calibramos os perfis com amostras de água subterrânea.
Quanto tempo leva para executar e entregar os resultados?
A aquisição em campo para uma campanha com 5 SEVs leva de 2 a 3 dias em Santos, dependendo das condições de acesso e da maré. O processamento e a interpretação exigem mais 5 a 7 dias úteis. O relatório final, com seções de resistividade verdadeira e correlação litológica, é entregue em até 10 dias úteis após a conclusão do campo.
Até que profundidade a SEV consegue investigar na região de Santos?
Na planície costeira de Santos, com arranjo Schlumberger e AB/2 de 150 m, atingimos profundidades de investigação entre 40 e 60 metros em terrenos saturados. A penetração é limitada pela presença de camadas condutivas muito espessas (argilas moles da Formação Santos) que atenuam o sinal. Para alvos mais profundos, como o topo do embasamento cristalino sob a ilha, podemos estender o AB/2 até 300 m, alcançando cerca de 100 m de profundidade. Mais info.
